Improviso para dedilhar a última harpa…
Viajar sempre num labirinto de cordas
as mãos suspensas
e intimamente desvendar a fonte
o segredo
da harmonia de todas as vozes
em nenhuma casa
fomos mais felizes do que nessa
e em tempo algum.
Ademar
17.04.2010
Improviso para pedir esmola
A despir-me nas palavras
veste-me apenas
como um sem-abrigo
e diz-me depois
antes não
que me queres assim.
descurei o guarda-roupa
e a nudez visitou-me
entre rasgões e remendos
não
não me sirvas mais
à mesa do desejo
o vinho
nem a antologiaveste-me apenas
como um sem-abrigo
e diz-me depois
antes não
que me queres assim.
Ademar
30.04.2010
Improviso para encaixilhar a última ceia…
Só as crenças
que comem
à mesma mesa farta
todos os dias
engordam
e as mais perenes
são as que se alimentam
do maior dos milagres
e das mentiras
a ilusão do poder
sobre a morte.
Ademar
01.04.2010

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